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  • Associação Pernambucana de Nutrição APN

COMO O NUTRICIONISTA PODE CONTRIBUIR PARA A SAUDE MENTAL EM TEMPOS DESAFIADORES?

Compreender o ser humano em suas diferentes dimensões, ou seja, não apenas no âmbito biológico, mas também no âmbito social, cultural, emocional, econômico e espiritual permite ao nutricionista uma abordagem mais assertiva e coerente com a própria definição de saúde e qualidade de vida que perpassa por uma diversidade de condicionantes e determinantes. Zannon, 2004; Ferraz, 1997.

O questionamento sobre a dissociação entre mente e corpo, demonstra a necessidade de práticas e ações que considerem o ser humano de forma mais completa. Ferraz, 1997.

E nesta visão mais ampliada de saúde, pautando um dos eixos importantes na construção do SUS, destaca-se o princípio da integralidade que valoriza o cuidado e acolhimento em todas as suas dimensões. Desta forma, o nutricionista, assim como todo profissional de saúde, deve considerar na sua abordagem prática um olhar sensível e acolhedor as diferentes demandas trazidas por seus clientes.

Esta forma empática de realizar o atendimento nutricional pode contribuir de sobremaneira para a identificação de alguma situação de risco, uma vez que surge a oportunidade para uma escuta qualificada, promovendo um ambiente favorável para o estabelecimento de vínculo. Maynart, 2014.

De acordo com o Centro de Valorização da Vida (CVV) a cada 45 minutos um brasileiro tira a sua própria vida. Ações de prevenção têm sido adotadas a fim de sensibilizar cada vez mais pessoas a identificar possíveis sinais e ajudar a reduzir esta triste constatação.

As pandemias afetam ainda mais esta realidade, uma vez que impõe a um número expressivo de pessoas restrições sociais e afetivas. Em estudo realizado no Rio Grande do Sul foi demonstrado que a exposição excessiva as informações sobre número de mortos e infectados pode causar prejuízo a saúde mental. Duarte, 2020.

De acordo com a Fiocruz, “espera-se que durante uma pandemia as pessoas se encontrem em frequente estado de alerta, preocupados, confusos, estressados e com a sensação de falta de controle frente as incertezas do momento” Fiocruz, 2020.

Reconhecer e acolher seus receios e medos, adotar estratégias de autocuidado, investir em ações que reduzam o nível de estresse agudo como: meditação, exercícios respiratórios, prática de exercícios físicos, manter ativa a rede socioafetiva estabelecendo contato mesmo que virtual com familiares e amigos têm sido algumas das recomendações direcionadas na atual circunstância. Fiocruz,2020

O nutricionista possui um importante papel na promoção de hábitos alimentares saudáveis, estimulando o consumo de alimentos antioxidantes e precursores de substâncias que modulam o funcionamento cerebral como os neurotransmissores, além de promover estratégias que estimulem a mudança de comportamento alimentar. Ferreira, 2007; Cambraia, 2004.

Em tempos desafiadores, a ansiedade e o medo podem influenciar negativamente no padrão alimentar de grande parte das pessoas. Verticchio, 2020. Desta forma, o profissional deve ainda estimular uma relação saudável com a comida e ajudar a identificar os sinais internos de fome e saciedade, promovendo uma maior conexão consigo mesmo. Alvarenga, 2019.

Portanto, muito mais do que prescrever dieta o profissional deve atuar de forma integrada com as reais necessidades de cada indivíduo para ser um verdadeiro promotor de saúde.

REFERÊNCIAS:

Seidle, M. F.; Zannon, C.M.L.C. Qualidade de vida e saúde: aspectos conceituais e metodológicos Cad. Saúde Pública , Rio de Janeiro, 20 (2):580 -588,mar- abr, 2004


Segre,M.; Ferraz, F. C. O conceito de saúde. Rev. Saúde Pública, 31 (5), 1997.


Maynart WH, Albuquerque MC, Brêda MZ, Jorge JS . A escuta qualificada e o acolhimento na atenção psicossocial Acta Paul Enferm. ; 27(4):300-3, 2014.


Duarte, M.Q. et al. COVID-19 e os impactos na saúde mental: uma amostra do Rio Grande do Sul, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 25(9):3401-3411, 2020

https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/cartilha_recomendacoes_gerais_06_04.pdf


Ferreira, 2007; Magalhães, Rosana. Nutrição e promoção da saúde: perspectivas atuais. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 23(7):1674-1681, jul, 2007


Cambraia, R.P.B. Aspectos psicobiológicos do comportamento alimentar . Rev. Nutr., Campinas, 17(2):217-225, abr./jun., 2004


Verticchio, D. F. R.; Os impactos do isolamento social sobre as mudanças no comportamento alimentar e ganho de peso durante a pandemia do COVID-19 em Belo Horizonte e região metropolitana, Estado de Minas Gerais, Brasil. Research, Society and Development, v. 9, n. 9, e460997206, 2020


Alvarenga, M. Nutrição Comportamental. 2ª Ed. Barueri- SP: Manole, 2019


Por Alyne Cristine,

Nutricionista, Docente e Membro da Diretoria da APN

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