Buscar
  • Associação Pernambucana de Nutrição APN

Nutrição como Aliada na Prevenção do Câncer de Mama

O câncer de mama feminino emerge como uma doença de importância cada vez maior em todas as partes do mundo, por sua frequência elevada e, principalmente, pela dimensão do problema, enfatizando a situação atual de morbidade e mortalidade da doença (Inca 2003)

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), estima-se que 66280 casos novos de câncer de mama para cada ano do triênio 2020-2022 no Brasil. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama feminino ocupa a primeira posição mais frequente em todas as Regiões brasileiras ( INCA 2020).

Movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, o Outubro Rosa foi criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, com a intenção de alertar a sociedade sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama, visando também à disseminação de dados preventivos e ressaltar a importância de olhar com atenção para a saúde da mulher, além de lutar por direitos como o atendimento médico e o suporte emocional, garantindo um tratamento de qualidade.

Dentre os fatores de risco ambientais preveníveis para o desenvolvimento do câncer de mama os fatores dietéticos representam cerca de 30% das causas, sendo somente superado pelo tabaco. (Key et al 2002). A alimentação dependendo de sua qualidade pode tanto potencializar o risco de câncer de mama como pode preveni-lo.

Dentre as principais estratégias preventivas destaca-se a quimioprevenção, que surge como uma opção terapêutica, podendo prevenir, interromper, ou reverter a gênese do câncer. A quimioprevenção através dos alimentos funcionais emerge como um importante instrumento na prevenção e controle do câncer de mama, sugerindo mecanismos de ação anticarcinogênicos, antioxidantes, antiinflamatórios, anti-hormonais, antiangiogênicos, dentre outros.( Padilha e Pinheiro 2004). Neste contexto entram os suplementos dietéticos, vitaminas e minerais, e substâncias não-nutrientes, os fitoquímicos, que atuam potencialmente com estes mecanismos mencionados, dentre outros (Kucuk 2002). Diversos são os nutrientes apontados na literatura que podem ajudar na quimioprevenção tais como:

Ômega 3 (n-3) cujos diversos estudos científicos apontam seu efeito protetor indicando que os ácidos graxos poliinsaturados n-3, incluindo os ácidos graxos a-linolênico, inibem a formação do câncer de mama, assim como as metástases por mecanismos diversos e bem documentados na literatura (Maillard 2002). Sendo recomendado a utilização do mesmo na alimentação das mulheres.

Fibras – cada vez mais se estimula o consumo de fibras associado ao aumento da ingestão de frutas, verduras, semente e cereais integrais. Muitos possíveis mecanismos de ação têm sido sugeridos, sendo o mais provável o que envolve a redução de estrogênios bioativos no sangue. As dietas ricas em fibras estão associadas com a alteração da flora colônica, atuando na regulação da recirculação enterohepática de estrogênios, de tal forma que a quantidade de estrogênio excretado é aumentada ( Cohen 1999).

Vitaminas e minerais – dentre as vitaminas mais estudadas com papel antioxidantes no câncer de mama se destacam as C, E, A, e o ácido fólico presentes em frutas e verduras as quais se não puderem ser ofertadas através da alimentação necessitam ser suplementadas. Vários são os mecanismos propostos dentre eles é a defesa contra as espécies reativas de oxigênio, que são responsáveis por danos ao DNA, regulação da diferenciação celular e, consequentemente, inibição do crescimento de células mamárias cancerígenas (Willett 2001).

Dentre os minerais supostamente envolvidos na redução do câncer de mama, o selênio é apontado como um importante componente da enzima antioxidante glutationa peroxidase, inibindo diretamente a proliferação de células epiteliais pela degradação da matriz, o que resulta na inibição da angiogênese, evento obrigatório para o desenvolvimento tumoral (Gerbe 2003)

Diante do exposto fica evidente que a nutrição tem impacto na prevenção do câncer de mama e que pode ser aliada as outras estratégias de detecção precoce do tumor. Devemos orientar nossas mulheres a reduzir de consumo de alimentos industrializados ricos em conservantes, aditivos, gorduras trans e açúcar em excesso que são prejudiciais à saúde em geral e estimular o consumo de alimentos naturais “Comida de verdade”, sementes e grãos integrais; leguminosas; carnes, frango, peixes ovos; frutas e vegetais de preferência proveniente da pecuária e agricultura familiar com baixo teor de pesticidas e agrotóxicos como está bem descrito no nosso guia alimentar da população brasileira.

Créditos

Msc Jaide Almeida

Nutricionista de Saúde da Mulher e Fertilidade do Casal


Fontes

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed., 1. reimpr. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014.

Cohen LA. Dietary fiber and breast cancer. Anticancer Res. 1999;19:3685-8

Gerber B, Müller H, Reimer T, Krause A, Friese K. Nutrition and lifestyle factors on the risk of developing breast cancer. Breast Cancer Res Treat. 2003;79:265-76.

42 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo